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Morte Súbita em Atletas: O Papel do Treinador
Por Ricardo Javornik, M.D.
Caracas, Venezuela


Introdução

A morte súbita de um atleta é um acontecimento bastante raro que gera grande impacto emocional e social no meio esportivo. Para o público em geral, os atletas representam o segmento mais saudável de nossa sociedade e o colapso inesperado de um desses atletas tem impacto profundo. Diante do drama dessa ocorrência, sua prevenção é um objetivo importante para a medicina esportiva. Nesse sentido, os agentes de saúde reconhecem que são capazes de identificar os atletas que apresentam esse risco e assim prevenir os casos de morte súbita. Essa possibilidade é real em atletas que apresentam problemas cardíacos subjacentes, uma vez que é possível restringir sua participação esportiva e assim eliminar o risco dessa fatalidade.


Participar ou não Participar?

Diversos grupos científicos desenharam e publicaram orientações para se detectar e proibir a participação de atletas que apresentam riscos em atividades esportivas. Apesar dessa estratégia mostrar-se capaz de prevenir parte dos casos de morte súbita, as evidências clínicas e anatomopatológicas indicam que nem todas as enfermidades podem ser detectadas através da avaliação médica realizada antes das competições e por isso deveríam-se pensar em outras possibilidades, principalmente para seu tratamento. Uma dessas possibilidades é a execução de uma série de procedimentos de assistência para sustentar a vida após a ocorrência de um incidente de colapso de um atleta. Isso inclui a rápida comunicação com os serviços médicos de emergência e a aplicação de técnicas de ressuscitação cardiopulmonar, incluindo a desfibrilação (desfibriladores portáteis automáticos que podem ser usados facilmente), por parte do pessoal técnico que se encontra ao redor do atleta, na maioria das vezes representados por treinadores e preparadores físicos.


Causas e incidência da Morte Súbita

A morte súbita por doenças cardiovasculares em atletas é bastante rara, afetando aproximadamente 1 em 200.000 atletas jovens por ano escolar, sendo maior em homens praticantes de basquete, futebol e corredores - na ordem de 1 para cada 15.000 a 20.000 participantes. Diversos estudos indicam que a morte súbita acomete mais homens, negros e em esportes de alta intensidade. Não há uma explicação clara para essa tendência, porém isso pode refletir a intensidade do esforço e as influências raciais sobre algumas anormalidades cardiovasculares. A maioria desses eventos podem ocorrer durante ou imediatamente depois do treinamento e da competição.

A maior parte das mortes súbitas (aproximadamente 80%) acomete atletas jovens (idade inferior a 30 anos) por problemas cardíacos, como enfermidades do músculo cardíaco (cardiomiopatia hipertrófica), anomalias congênitas das artérias coronárias, ruptura da artéria aorta devido a alterações em sua parede (Síndrome de Marfan) e alterações na válvula aórtica (estreitamento). Reconhecendo-se essas causas da morte súbita: é possível prevenir sua ocorrência durante o exercício? A estratégia lógica para redução da incidência desse problema é a identificação dos atletas que apresentam o risco de desenvolver essa patologia. Nesse sentido, a avaliação médica antes da competição tem um papel importante.


É possível evitá-la?

A avaliação médica realizada antes das competições não consegue detectar todas as possíveis patologias cardíacas que determinam a morte súbita do atleta. A evidência clínica indica que é relativamente fácil suspeitar e diagnosticar os problemas de aneurismas da artéria aorta e a estenose da válvula aórtica, diferentemente dos casos de cardiomiopatia hipertrófica que apresentam sintomas variáveis e que, em alguns casos, são semelhantes às adaptações provocadas pelo exercício físico, exigindo meios sofisticados e caros para diagnóstico, assim como as anomalias coronarianas que podem ser totalmente assintomáticas e manifestar-se apenas por meio da morte súbita.

Não se consegue diagnosticar um certo percentual dos atletas que apresentam risco de sofrer a morte súbita e sua única manifestação clínica será a parada cardiorrespiratória. É importante que todos os integrantes das equipes esportivas, incluindo treinadores, estejam preparados para aplicar as técnicas de ressuscitação cardiopulmonar (RCP) de maneira plena (massagem cardíaca, ventilação e desfibrilação). Sugeriu-se que haja desfibriladores externos automáticos disponíveis durante os eventos esportivos. Essa proposta baseia-se na hipótese de que a morte súbita quase sempre está associada à fibrilação ventricular podendo revertida pelo uso desse equipamento, que pode ser utilizado por equipe não-médica.